Educação em crise


Colapsos econômico e climático, crises políticas em diversos países, etc. Crises “amargas”, pois, por um lado, trazem sofrimento a milhões de pessoas, mas, por outro lado, revelam-nos a necessidade de mudanças radicais na sociedade. Entretanto, o assunto aqui é outro: vivenciamos uma grave crise na educação. Assim, será que o acesso à educação básica significa “sucesso” como promete o governo do Estado? Além disso, por que a maior parte dos estudantes passa pela escola, sai sem saber escrever, ler e compreender textos elementares.
Em primeiro lugar, a professora e doutora Áurea Costa alerta-nos em sua obra (produção coletiva com outros profissionais da educação) “A proletarização do professor” para os discursos de supostos “especialistas” compostos por economistas, jornalistas, etc. que “discutem” a crise de escola pública: “A crise da educação não tem nada a ver, segundo eles, com a pequena dotação de verbas para a educação, com os baixos salários e as péssimas condições de trabalho dos professores (...)”. Mediante este quadro, sugere a doutora que os educadores devem apresentar-se ao debate.
Em segundo lugar, lembramos que Lula prometeu na campanha eleitoral destinar 6% do PIB – à Educação, mas não cumpriu essa meta. Os trabalhadores reivindicam, no mínimo, 10% do PIB para que sejam aplicados nesse setor.

Em terceiro lugar, a DRU (Desvinculação das Receitas da União) não foi revogada . Com isso, o governo desvia até 20% das verbas arrecadadas que deveriam ser destinadas às políticas sociais. (www.educarparacrescer.abril.com.br). Na prática, a DRU desviou mais de R$ 45 bilhões da educação, representando, essa prática, a retirada de verbas que deveriam ser aplicadas em investimentos públicos, direcionando-as ao enriquecimento os especuladores.
Por isso, a proposta do governo federal de discutir a educação por meio da Conferência Nacional de Educação (CONAE) é uma armadilha, pois a participação dos trabalhadores em educação nesse evento acaba legitimando a continuidade dos planos neoliberais, como, por exemplo, o que acontece com o desastroso Plano Decenal de Educação (PDE) que está chegando ao fim e não resolveu os graves problemas da educação como analfabetismo, repetência e a evasão escolar.

É necessário aumentar os investimentos em educação, pois, com essa medida, dentre outros fatores, haverá redução dos tamanhos das turmas, como reivindica os trabalhadores em educação.
A Finlândia, que tem o melhor ensino do mundo de acordo com o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), investe U$ 8.000,00 por aluno/ano. O governo Lula destina a miséria de U$ 1000,00. No país europeu, por exemplo, não chegam a 15 alunos por sala e nos países que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) as turmas são de 22 e 24 alunos nos ensino fundamental e médio, respectivamente.
A juventude trabalhadora é vítima do desemprego, dos baixos salários, da violência e de outros graves problemas causados pela injustiça e pelas desigualdades sociais. Assim, essa realidade complexa se manifesta na sala de aula multiplicando os fatores que dificultam o ensino e a aprendizagem. Com efeito, as organizações que defendem os trabalhadores em educação não devem apoiar a proposta aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara (CCJ), pois é insuficiente. Esse projeto limita em, no máximo, 25 alunos nos cinco primeiros anos do ensino fundamental e 35 nos quatro anos finais dos ensinos fundamental e ensino médio.
Nesse sentido, é ilusão acreditarmos no Congresso Federal e também no Senado. Mas a Federação dos Trabalhadores em Educação (FETEMS) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) priorizam a negociação com os governos e Congresso e, com efeito, nossas reivindicações são rebaixadas e vendidas como se fossem “avanços”. Exemplo: a reivindicação histórica dos trabalhadores em educação é o piso calculado pelo Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (DIEESE), mas negociaram com o governo e o resultado foi catastrófico.
A educação que desejamos é possível, não é uma utopia, assim, pois poderemos conquistá-la. Porém, requer uma ruptura total com o modelo econômico vigente no país. Portanto, o desafio é unir os trabalhadores em educação, pais e alunos para lutar pela educação que desejamos. A CONLUTAS (Coordenação de Lutas – MS) é uma organização que se dedica para edificar este sonho.


* Onildo Lopes

É professor, coordenador da CONLUTAS ( Coordenação Nacional de Lutas –MS), e militante do PSTU( Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados).
E-mail: onildolopes@yahoo.com.br
Escreve regularmente no S.T.H

2 comentários:

São Tantas Histórias disse...

O governo deve para de brincar de educação pois é disso que se trata a educação nos últimos anos aqui no Brasil. Copiam os modelos educacionais de outros países (como os ciclos)que não dão certo,dizem que é ainda uma empresa falida que começa com prejuízo ( com toda certeza,para o governo por que o povo não fica mais passivo). Vamos dizer um basta para essa falta de compromisso com a educação,vamos para luta e o artigo do Professor Onildo abre para essa discursão...
Leve essa idéia para sua escola,sua casa. Vamoas fazer do Brasil um país realmente de todas e de todos...

Renato disse...

Com certeza o Brasil só irá mudar se tiver investimento de verdade na escola,matérias bons e professores bem remunerados...