Hoje na História:09 de fevereiro de 1967 -- Sancionada a Lei de Imprensa

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O presidente Castelo Branco sancionou em um despacho com o Ministro da Justiça, Carlos Medeiros e Silva, a Lei de Imprensa. O dispositivo recebeu dois vetos: o primeiro por contrariar, de acordo com o presidente, a teoria da prova, e o segundo por conter "privilégios aos jornalistas".

A partir da entrada em vigor das novas regras todos os programas a serem exibidos na televisão deveriam apresentar na tela, antes do início, uma autorização rubricada pelos censores de plantão. Em caso de vigência do estado de sítio, o governo enviaria agentes a todas as redações de periódicos e emissoras de rádio e televisão para fazer a censura prévia.

A Lei de imprensa dos militares atualizou os conceitos da Lei de Imprensa, concebida no governo de Getúlio Vargas em 1934, para a realidade do regime imposto em 1964. O marechal incluiu a televisão que não existia na época de Vargas e ampliou as restrições à liberdade de expressão. A lei de Vargas exigia que as gráficas e jornais tivessem uma matrícula no Estado, e que todos os profissionais da área preenchessem um cadastro, incluindo o endereço residencial.

Castelo Branco criou também o Serviço Nacional de Inteligência (SNI) em 1964, com a função de "superintender e coordenar em todo o território nacional as atividades de informação e contra-informação".

SNI tem regulamento sigiloso

No mesmo dia em que foi sancionada a Lei de Imprensa saiu a publicação no Diário Oficial dando conta de que o novo regulamento do SNI fora aprovado por decreto do presidente Castelo Branco. O texto do documento não foi divulgado por ser considerado matéria sigilosa pelo governo militar. O antigo regulamento era de conhecimento geral.

O SNI foi extinto em 1990, no governo Collor, e suas funções passaram a ser desempenhadas por outros órgãos até a criação da Agência Brasileira de Inteligência, em 1999.
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Hoje na História:27 de janeiro de 1973 – Acordo põe fim à Guerra do Vietname

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A assinatura de dois acordos pelo Secretário de Estado dos Estados Unidos e os Ministros das Relações Exteriores dos governos do Vietname do Sul, Vietname do Norte e Governo Revolucionário Provisório – Vietcong – , realizadas em duas cerimônias no dia 28 de janeiro, em Paris, selou o fim da Guerra no Vietname, que durou mais de dez anos. Os acordos previam o fim da ação militar norte-americana na região, além de um cessar-fogo entre Norte e Sul e a libertação dos prisioneiros de guerra.

“Hoje as armas serão emudecidas e a paz descerá sobre o Vietname. Nosso povo se prepara para viver esta nova era com a determinação de elevar bem altos os conceitos de paz e concórdia, seguindo à risca as cláusulas do acordo”, disse Le Due Tho, o principal negociador norte-vietnamita na Conferência de Paris.

O acordo determinou que a partir do dia seguinte a sua assinatura, os Estados Unidos deveriam iniciar a retirada de todo o seu contingente militar do Vietname, além de cortar a ajuda financeira que forneciam às tropas do Vietname do Sul. “Terminou para os Estados Unidos uma longa e dura prova. Nossa nação logrou seu objetivo de paz com honra no Vietname. Nenhum momento pode ser mais oportuno para se orar com ânimo agradecido e meditar, do que este em que começa a paz”, declarou o Presidente norte-americano, Richard Nixon, no dia anterior ao da assinatura dos acordos.

Nguyen Van Thieu, último presidente sul-vietnamita antes da unificação entre Norte e Sul (1975), no entanto, anunciou que, apesar da luta ter acabado, os acordos deram início à guerra política na região. Thieu criou o Comitê Nacional de Liderança para a Guerra Política, composto por 300 mil membros civis e militares, cujo objetivo era de combater a propaganda vietcong nas cidades do interior do país, devendo coibir qualquer atitude comunista suspeita. “Não será tolerado nenhum tipo de ação dos comunistas nem qualquer tentativa de reunião política ilegal”, afirmou. O Governo do Vietname do Sul temia que as “Manchas de Leopardo” (zonas ocupadas pelo vietcong) se espalhassem pelo território após a retirada militar dos norte-americanos, na noite do dia 27.

Na realidade, a guerra entre o Norte e o Sul não acabou com o fim da participação norte-americana. Os conflitos se estenderam por mais dois anos até que, em 1975, houve a rendição total do exército sul-vietnamita após a ocupação de Saigon.
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Hoje na História:19 de janeiro de 2012: 70 anos de Nara Leão, a Musa da Bossa Nova

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"Mas agora, meu bem, vou-me embora
Vou-me embora, e não sei se vou voltar
A saudade, nas noites de frio,
Em meu peito vazio virá se aninhar
A saudade é dor pungente, morena...
"
Nara Leão nasceu no dia 19 de janeiro de 1942 em Vitória, Espírito Santo. Gravou 30 LPs, ao longo da sua carreira, com repertórios variados e uma interpretação muito pessoal. Não possuía grande extensão vocal, mas era muito afinada. A jovem tímida, que ganhou um violão aos 12 anos, construiu uma trajetória musical sólida na qual sempre apostou nos movimentos de vanguarda e de protesto.

Nara fez parte do grupo que criou a bossa nova, mas foi eternizada a musa do ritmo que mudou a MPB.
Nara Leão rompeu com definitivamente com o movimento em 1964, ao abraçar o samba mais tradicional - mas nunca perdeu o título de Musa da Bossa Nova.

As reuniões na casa de seus pais, no Posto 4, em Copacabana, das quais participaram Ronaldo Bôscoli, Carlos Lyra, Roberto Menescal, entre outros, ajudaram a demolir a tendência dor-de-cotovelo que prevalecia na música brasileira no fim dos anos 50. Antes mesmo que Nara começasse a cantar profissionalmente, já ganhava presentes em forma de canção: O barquinho, Se é tarde, me perdoa e Lobo bobo, que viraram clássicos da Bossa Nova.

Sua estréia para valer, diante do público, aconteceu em mais um show antológico, em 1963: no pequeno palco do Au Bon Gourmet, cantou ao lado de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra, no espetáculo Pobre menina rica. No ano seguinte, gravou o disco Nara, produzido por Aloysio de Oliveira para o selo Elenco. Foi uma ponte entre o samba tradicional e sofisticado - Nelson Cavaquinho, Zé Keti, Cartola e Elton medeiros - e o novo som de Baden Powell, Carlisnhos Lyra e Moacyr Santos.

Esteve ligada a outros movimentos musicais, como o Tropicalismo, tendo sido responsável pelo lançamento de vários compositores novos e pelo resgate de outros veteranos, realizando um mapeamento da música popular brasileira e destacando-se pela excelência de seu repertório.
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