Ser professor é considerado um sarcedócio (sentimento de doação e benevolência o que é tão enfatizado pelos poetas),por conta da longa jornada com baixa remuneração e a falta de reconhecimento pela sociedade. Nas escolas o ensino sistematizado se torna cada vez mai s difícil por vários motivos:desestruturação familiar tráfico de drogas,violência,fome e as políticas educacionais(ciclos educacionais,salas multi-seriadas,ENCEJA o popular provão,Projeto da EJA)e a tevê.
Todavia a educação na segunda metade da década de 1940 era um tanto complicada por causas estruturais; a maioria das famílias brasileiras moravam no campo,as longas distâncias do campo a escola,as estradas de terra muito precárias,poucos professores e os poucos tinham que fazer a limpeza da escola,a merenda (quando tinha ou que os pais forneciam) e ainda ``lecionava `` para vários alunos de faixas etárias diferentes,falta de incentivo dos pais,deixavam somente os filhos (omi)estudar um pouco o suficiente para ler e escrever e as mulheres (muié) nem iam a escola,praticamente eram preparadas para três “C”(os três C; casar, coser e cozir ). Neste período mulher não tinha salário e as que trabalhavam era na roça junto com os maridos e muito poucos deixavam elas trabalharem fora de casa.
Dentro deste panorama a professora Maria de Oliveira Souza que desde mocinha queria lecionar e contava com o apoio do pai para isso coisa rara neste período filha do primeiro casamento por muitas vezes chamava as irmãs paternas para irem a escola e sua madrasta não deixava ”ela dizia que as moças iam aprender a ler e a escrever para mandar cartas para os namorados”,assim só ia a Maria por que não era filha dela.
Se formou como professora no ano de 1947 numa época que muitos não queriam ser professor,ainda mais profissionais irem dar aulas nas escolas rurais. Para ser professor tinha que passar uma prova feita pelo Inspetor de Ensino neste período o senhor Rui Gomes(que com o seu falecimento em 1975 virou nome de escola,onde dei aulas até 1983 quando me aposentei)a prova era escrita e oral,mas enfim passei e fui contratada pela administração da colônia para dar aulas no Colégio Panambi, morava num lote a 5 quilômetros da escola próximo ao Rio Rum(Rio Preto),minha sala de aula era no começo com 10 ou mais crianças mas com o passar do tempo tive mais duas turmas na mesma sala de aula 1,2 e 3 series tudo passado na mesma lousa que dividia em três partes,a merenda o governo fornecia para as escolas,mas era nós mesmo quem as preparava, na maioria das vezes era um sopão que colocávamos num fogão improvisado no meio do terreiro era uma lata de 20 litros que eu mesma abri era um olho na sopa e o outro na sala de aula,comiam nos canecos mesmos e cada um trazia seu talher. A Disciplina era rígida, aluno que conversasse não saia para o recreio e o maior medo deles era que os pais fossem chamados á escola para reclamar do comportamento deles.( Certa vez um dos alunos chamou a mãe do outro de “biscate”e foi um Deus nos acuda chamei os meninos e lhes mostrei no dicionário o significado da palavra biscate,que não tinha nada a ver com termo pejorativo e os dois saíram em silencio conhecendo melhor a palavra.Neste período todos os alunos andavam uniformizados, chamávamos de farda que depois ficou conhecido como uniforme de escola mesmo .
Em 1959 casou-se com 20 anos, com Cisaro ele com 21 ( o seu Ciço)um rapaz recém chegado de Pernambuco (vieram de pau de arara até Andradina SP e de trem até Ithaum MS) atraído pela oferta de terras baratas na região do Panambi (ver memórias de um assentado ,revista arandu, 2008 do mesmo autor deste artigo),com quem teve três filhos nesta época se mudou para a vila São Pedro para dar aula na escola Reunida (batizada de Escola Rui Gomes o mesmo inspetor educacional que aplicou sua prova de admissão) em uma sala de aula com uma turma só o que era tudo muito bom mesmo,já que agora já tinha até merendeira na escola bem mais civilizado,a única dificuldade era que morava 5 quilômetros da escola, ia de bicicleta, de charrete e a pé mesmo,mas não faltava as aulas.
Para chegar a escola tinha que atravessar uma ponte de madeira que, certa vez as tábuas se dependeram e a charrete ficou presa no buraco em cima da ponte,mandei um dos meninos chamar uns paraguaios de um lote próximo para me ajudar, mas não estavam,só as mulheres estavam em casa. Elas vieram de prontidão me ajudar mas, não foi o bastante por sorte tinha um pescador no rio e nos ajudou a tirar a charrete do lugar quase que aconteceu uma tragédia neste dia.
Por varias vezes pediram para ela para ser diretora de escola por manter a disciplina rígida em suas salas de aulas, mas por muitas vezes negou por conta de que tinha um aumento no tempo de serviço para a aposentadoria já que se aposentou em 1983.
Por muitas vezes conferia os canhotos dos diários de sala de aula(mostrei a ela uns dos meus diários de sala,me disse que não mudou muito. O sistema ta arcaico mesmo,passou da hora de digitalizarmos os diários escolar) dos colegas de trabalho pois tinha muita facilidade para fazer esses trabalhos.
Um problema sério era o salário não ganhávamos mau para uma mulher nessa época,mas os constantes atrasos era sempre de oito, nove meses sendo que o pior governo foi o do Wilson Barbosa Martins,seguido pelo Pedro Pedrossian. Mas como morávamos na roça dava para dar um jeito pois comprávamos poucas coisas na cidade.
Nunca gostei muito de fazer greve, pois nunca resolveu o problema dos nossos salários, já que os alunos é que eram os mais prejudicados naquelas ações. Os sindicatos deveriam pensar em outras maneiras de reivindicar os direitos da nossa classe de profissionais. (Fui uma única vez no sindicato, já estava me aposentado e não gostei).
Desde criança queria ser professora e, se tivesse que começar hoje uma nova carreira profissional gostaria de ser novamente professora das series iniciais. ( 26 anos de sala de aula todos lecionando).
Professor.: Dantas
Assinar:
Postar comentários (Atom)






Nenhum comentário:
Postar um comentário